Fracasso transatlântico

O governo francês solicitará agora em setembro à Comissão Europeia o fim das negociações entre Europa e EUA para o grande acordo comercial Associação Transatlântica para o Comércio e o Investimento (TTIP, na sigla em inglês) . O anúncio foi feito nesta terça-feira (30/8) pelo secretário de Estado francês do Comércio Exterior, Matthias Fekl, para quem as negociações a fim de criar a associação estão desequilibradas e favorecem os EUA. "Os americanos não dão nada ou oferecem apenas migalhas. Entre aliados não se negocia assim. Temos que parar de maneira clara e definitiva essas negociações para recomeçar com novas bases", disse Fekl. O presidente francês, François Hollande, afirmou um pouco depois que não haverá acordo sobre o TTIP até o fim do mandato do presidente americano, Barack Obama. Os candidatos à presidência dos EUA, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, criticaram duramente o TTIP. O acordo, negociado em sigilo entre Washington e a Comissão Europeia desde meados de 2013, tem o objetivo de suprimir as regulamentações comerciais para criar uma grande zona de livre comércio e estimular o crescimento econômico. O TTIP tomou corpo por iniciativa de Barack Obama. O TTIP foi pensado como o código de regras comerciais globais das democracias do Ocidente confrontadas ao poderio econômico da China. O tratado almeja unir os países da UE aos EUA, agregando 45% do PIB mundial e 800 milhões de habitantes que formaria a maior zona de livre-comércio do mundo. A unificação transatlântica do controle de consumo e segurança da fabricação de carros, alimentos e produtos farmacêuticos, suscitou polêmicas. Sindicatos, movimentos ecologistas e ONGs organizaram manifestações contra o tratado, nos EUA e na Europa. O sigilo das tratativas entre os diplomatas europeus e americanos, suspeitos de conchavar com os grandes lobbies em detrimento dos consumidores, tem sido bastante criticado.  Em 2013, a revelação por Edward Snowden de que os EUA mantinham espionagem maciça dos cidadãos europeus levou parlamentares da UE a exigir a suspensão do TTIP. Fontes: redação com Vozes do mundo


Serra deixa a desejar no Itamaraty

A Folha de S. Paulo, neste domingo (28/8), fez balanço dos 100 primeiros dias de José Serra como ministro interino de Relações Exteriores e mostrou que tudo o que o tucano fez até agora foi atacar governos bolivarianos e criar embaraços. O jornal analisou a gestão do primeiro chanceler não diplomata nos últimos 14 anos. O resultado do balanço evidencia que Serra tem deixado a desejar. Ele mudou o perfil do Itamaraty alegando que "não existe política externa desvinculada da política interna". Além disso, Serra passou a usar o gabinete do ministério para tratar de assuntos alheios à pasta. "Boa parte de sua agenda foi ocupada, nos primeiros três meses, por encontros com representantes de associações de produtores brasileiros de diversos setores, além de diretores de grandes empresas exportadoras", disse a Folha. Clique aqui e leia o artigo de Luis Nassif no portal de notícias Jornal GGN.


Concentração de renda no
Brasil não tem rival no planeta

A transferência de renda para os ricos é crescente no Brasil, na contramão da tendência mundial de aumentar os impostos para as faixas mais altas. Segundo o economista Rodrigo Octávio Orair, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do International Policy Center for Inclusive Growth, da Organização das Nações Unidas, três condições tornam o Brasil o paraíso dos ricos e super-ricos. A primeira é a taxa de juros sem paralelo no resto do mundo, garantia de alta rentabilidade para o capital. A segunda condição é a isenção tributária de lucros e dividendos, instituída em 1995 no governo de Fernando Henrique Cardoso. A terceira são as alíquotas de impostos muito baixas para as aplicações financeiras, de 15% a 20%, quando os assalariados pagam até 27,5%. A concentração de renda no Brasil não tem rival no planeta. Há um movimento mundial para reduzir a desigualdade econômica. De 2008 para cá, 21 dos 34 países da OCDE tomaram medidas de aumento da tributação dos mais ricos. Os EUA elevaram as alíquotas máximas do Imposto de Renda daquela camada e o Chile tomou medida semelhante em 2013, para financiar a educação. “O Brasil é um dos poucos lugares onde não se toca no tema. A discussão está bloqueada”, destacou o pesquisador do Ipea. Clique aqui e leia o texto no site da revista Carta Capital.

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